FORJA — Sumário Executivo
Manifesto da Reindustrialização e do Desenvolvimento Soberano Quem Forja Decide — Quem Agrega Valor Liberta Programa-irmão do PACID, do QUILOMBO e do SOMA.
O problema em um número
A indústria de transformação caiu de ~36% do PIB (1985) para 10,8% (2024). No Atlas de Complexidade de Harvard, o Brasil recuou de ~25º (1995) para a faixa da 60ª posição. Vendemos o grão e recompramos o biscoito; vendemos o minério e recompramos a turbina; exportamos o lítio e fazemos zero células de bateria. Quem exporta natureza importa pobreza.
A tese
Tirar o Brasil da rabeira não é sonhar fábricas do zero na fronteira tecnológica — é adensar as cadeias que já existem, agregando valor a jusante. Reindustrializar com método, não com voluntarismo.
O método (e a recusa da vaca voadora)
Cada setor é pontuado por cinco critérios: base instalada · vantagem comparativa · demanda cativa · adjacência de capacidades · janela temporal. Recusam-se os projetos sem base, sem comprador garantido, longe do que já sabemos fazer e com prazo fora do mandato. Adensar > moonshots; substituição competitiva, não autárquica; sequência por demanda cativa. → Metodologia
Qual indústria primeiro (ranking)
| # | Setor | Por que (base + demanda cativa) |
|---|---|---|
| 1 | Complexo da Saúde (CEIS) | Déficit ~US$ 20 bi/ano; ~90% dos insumos importados; demanda garantida pelo SUS; instrumento (PDP) e produtores públicos (Fiocruz, Butantan, Hemobrás) já existem. |
| 2 | Aço verde | 33,7 Mt instaladas + minério da Vale; CBAM europeu (jan/2026) torna descarbonizar condição de exportar. |
| 3 | Baterias / minerais críticos | Já exportamos o lítio do Jequitinhonha; verticalizar até a célula. |
| 4 | Defesa e aeroespacial | Embraer + compras das Forças Armadas (NIB Missão 6: R$ 112,9 bi). |
| 5 | Equipamentos da transição | 52 GW solar / 33,7 GW eólica instalados — importamos os painéis. |
| 6 | Máquinas agrícolas + bioeconomia | Base OEM madura; SAF/Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024). |
→ Prioridades setoriais · O que NÃO priorizar: semicondutor de ponta (vaca voadora; o PACID já cuida com a aposta modesta em RISC-V).
Como promove a economia local
Arranjos Produtivos Locais (677 APLs, 2.175 municípios, 3 mi de empregos), ancoragem territorial das missões (o lítio industrializa o Vale do Jequitinhonha, não um abstrato nacional), margem de preferência regional, cooperativas e ligação com o SOMA. O valor fica onde a matéria sai. → Economia local
Como se faz (4 anos, não 180 dias)
- Ano 1 — sem depender do Congresso: regulamentar a margem de preferência (Lei 14.133), reativar a encomenda tecnológica (Lei 10.973), usar o poder de compra do SUS e das Forças Armadas, proteger o FNDCT.
- Ano 2 — leis: Fundo Soberano de Reindustrialização (fonte blindada), marco da verticalização dos minerais críticos, regime do aço verde.
- Anos 3–4 — consolidação irreversível: Fundo como política de Estado, primeira fábrica de células de bateria, metas de complexidade auditadas.
A dupla face
Um manifesto que não vira texto de governo é desabafo. O FORJA traz um caderno de emendas mapeadas para os eixos do Plano Participativo (PT/FPA, aberto até 30/06/2026) e do PPA. → Caderno de emendas
Financiamento realista
Fundo financiado pela parcela federal do pré-sal (via PPSA, ~R$ 10 bi) — não o bolo de royalties (majoritariamente de estados e municípios) — e pela execução protegida do FNDCT. Realismo orçamentário, não voluntarismo.
Disciplina de evidências: toda cifra tem fonte e nível de confiança em números verificados. Cifras contestadas são marcadas, não infladas.
→ Ler o manifesto completo (8 capítulos) · → Acervo completo
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