← Voltar ao manifesto Forja

Ficha de Referência 10

Minerais críticos e a verticalização ausente

terras-raras, lítio e a janela que se fecha

Trecho consolidado: o Brasil detém uma das maiores reservas de terras-raras do mundo — o serviço geológico norte-americano (USGS) estima o país como 2º maior detentor global, com cerca de 21 milhões de toneladas (~23–25% do total mundial), enquanto o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) trabalha com estimativa mais conservadora, da ordem de 15% — e possui potencial de lítio no Vale do Jequitinhonha (MG), ainda que não figure no topo mundial de reservas. A verticalização doméstica é quase nula: exporta-se concentrado, não ímãs nem baterias.

Síntese de USGS — Mineral Commodity Summaries 2024; SGB-CPRM; ANM

Contexto e relevância

Terras-raras e lítio são insumos estratégicos da economia do século XXI: estão no ímã do motor elétrico, no aerogerador, na bateria, no celular, no equipamento de defesa. O Brasil dispõe de dotação geológica relevante — sobretudo em terras-raras — e de potencial em lítio no Vale do Jequitinhonha. O problema não é a reserva: é o que se faz com ela.

Hoje o país exporta o concentrado mineral e reimporta o produto final — o ímã, a célula de bateria, o motor — com a margem de lucro, os empregos de engenharia e o tributo recolhidos no exterior. É o mesmo padrão do minério de ferro de Carajás aplicado aos minerais do futuro. A verticalização doméstica (transformar concentrado em produto de maior valor agregado dentro do país) é, hoje, praticamente inexistente.

O sol, a floresta e o minério são nossos. A pergunta é se a fábrica também será.

Divergência real entre as fontes — e por que ela importa

Há divergência metodológica genuína sobre o tamanho das reservas brasileiras de terras-raras. O USGS situa o Brasil como 2º maior detentor mundial (~21 Mt; ~23–25%); o SGB-CPRM adota estimativa mais conservadora (~15%). A ficha cita ambos, sem arbitrar, porque a conclusão programática não depende de qual número prevalece: em qualquer das estimativas, o Brasil é detentor de classe mundial e, ainda assim, não verticaliza.

Quanto ao lítio, registre-se com honestidade: o Brasil não está no topo mundial de reservas. O ativo é o potencial do Vale do Jequitinhonha (MG), e o argumento é de oportunidade industrial, não de liderança em reservas.

A urgência é máxima porque a janela está se fechando: as cadeias globais de ímãs e baterias estão sendo desenhadas agora. O Forja propõe tratar minerais críticos como missão integrada de soberania — nenhum mineral estratégico exportado sem rota de verticalização planejada, nenhuma concessão de exploração sem contrapartida de industrialização local — usando o poder de compra e a encomenda tecnológica das doutrinas anteriores para transformar vantagem geológica em vantagem produtiva.

Fonte original

USGS — U.S. Geological Survey. Mineral Commodity Summaries 2024 (rare earths; lithium).
https://www.usgs.gov/centers/national-minerals-information-center/mineral-commodity-summaries

SGB — Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Levantamentos de terras-raras e minerais críticos.
https://www.sgb.gov.br/

ANM — Agência Nacional de Mineração. Anuário Mineral Brasileiro e dados de produção.
https://www.gov.br/anm/pt-br