# Kasahara, Hidalgo, Boas & Rocha (2024) — *Dynastic Partisanship: Oligarchic Political Competition in Brazil*

> **Verificada em fonte primária** via `pdftotext` do PDF original em `people.bu.edu/tboas/dynasties.pdf` (data da verificação: 2026-05-28).
>
> **Discrepância 42% × 25,2% citada pelo Spotniks RESOLVIDA neste documento** — ambas as cifras estão no paper, medindo coisas ligeiramente diferentes.

## Citação canônica

> **KASAHARA, Yuri; HIDALGO, F. Daniel; BOAS, Taylor C.; ROCHA, Virginia.** *Dynastic Partisanship: Oligarchic Political Competition in Brazil*. Working Paper. 19 de novembro de 2024. Disponível em: <https://people.bu.edu/tboas/dynasties.pdf>.

**Status:** Working paper acadêmico. Os dados de replicação serão disponibilizados via Dataverse após publicação formal (declarado pelos autores).

## Autores e afiliações

- **Yuri Kasahara** — Norwegian Institute for Urban and Regional Research, **Oslo Metropolitan University** (Noruega; pesquisador brasileiro baseado no exterior)
- **F. Daniel Hidalgo** — Department of Political Science, **Massachusetts Institute of Technology (MIT)** (Estados Unidos; é o "americano do MIT" citado pelo documentário)
- **Taylor C. Boas** — Department of Political Science, **Boston University** (Estados Unidos; especialista em Brasil)
- **Virginia Rocha** — Department of Social and Political Sciences, **European University Institute (EUI, Florença)** (Itália; brasileira)

> **Nota sobre fonte secundária imprecisa:** o primeiro Explore agent reportou Rocha como FGV/EAESP — a fonte primária (este PDF, 19/11/2024) confirma EUI/Florença. A afiliação FGV pode ter sido anterior. Esta ficha usa a afiliação do PDF.

**Apoio financeiro:** Research Council of Norway, projeto "Breaking the Curse? The Politics of Drought in the Brazilian Northeast" (Project Number 250900).

**Comitês de ética:** Boston University, MIT, Oslo Metropolitan University e **Universidade Federal do Piauí (UFPI)**.

**Agradecimentos relevantes:** Barbara Johas e Manuela Pereira (assistentes de pesquisa); Sara Constantino, Nara Pavão e Matthew Singer (comentários).

## Abstract integral (em inglês)

> "Strong partisanship is traditionally conceptualized as a feature of modern, consolidated democracies with stable and competitive party systems. By contrast, patrimonialism is typically seen as a pre-modern basis for political loyalty that persists mainly in less democratic enclaves of the developing world. In this paper, we argue that **patrimonialism can function similarly to modern partisanship** in terms of structuring robust competition between opposing political factions and influencing voting behavior. Leveraging original kinship data on mayoral candidates in Brazil, we show that many municipalities are characterized by robust competition between two or more family-based political groups. Then, drawing on a face-to-face survey vignette experiment in ninety municipalities, we show that **a candidate's affiliation with a local political family has a similar effect on vote intention as does party affiliation**. The results underscore that partisan-like competition and voting behavior can emerge even in places that present seemingly unfavorable conditions for party politics."

## Tese central

O clã político brasileiro **funciona estruturalmente como um partido informal**: gera lealdade transmitida geracionalmente, estrutura competição local persistente entre 2 ou mais grupos familiares, e tem **mesmo efeito sobre a intenção de voto que a filiação partidária**. Em contextos onde o sistema partidário formal é fraco (Nordeste brasileiro), o sobrenome substitui o rótulo do partido como brand político.

## Amostra e dados

### Dados de parentesco (kinship dataset)

- **17.925 candidatos a prefeito** com nome ao menos 1 progenitor identificado (79% da base)
- Estados com dados de parentesco aproveitáveis: **AC, AL, AM, BA, ES, MA, MG, MS, PB, PE, RJ, RN, RS, SC, SE, SP** (16 estados — varia conforme registro nominal em cartório; ex.: Piauí "virtualmente nunca lista o nome dos pais" / Bahia "quase sempre lista")
- Período: dados eleitorais TSE cobrindo várias eleições municipais até 2020

### Survey vignette experiment (90 municípios, 7 estados NE)

Distribuição por estado (Tabela 5 do paper):

| Estado | Municípios |
|---|---|
| Alagoas | 4 |
| Bahia | 30 |
| Ceará | 18 |
| Paraíba | 10 |
| Pernambuco | 14 |
| Piauí | 5 |
| Rio Grande do Norte | 9 |
| **Total** | **90** |

- **Exclusão:** municípios com >50.000 habitantes (foco em rural/pequeno porte onde clientelismo é mais documentado)
- **Survey por município:** 40 residentes (mass survey) + 4 elites locais (vereadores e secretários municipais)
- **N total:** 3.600 respondentes mass + 360 respondentes elite

### Famílias politicamente relevantes identificadas

> "We identified at least one politically relevant family in **68 of 90 municipalities**." (linha 626 do PDF)
>
> → **75,5% dos municípios sampleados têm pelo menos uma família politicamente relevante identificável** (não os "30%" mencionados em alguns reports — esse é número diferente, referente a famílias persistindo 4+ eleições; ver abaixo).

## Achados quantitativos — RESOLUÇÃO DA DISCREPÂNCIA 42% × 25,2%

O documentário Spotniks cita "42% dos candidatos a prefeito no Nordeste tinham mesmo sobrenome de algum candidato do passado". Pesquisa do primeiro Explore agent localizou apenas "25,2% overlapping surname Nordeste vs 11,5% nacional" e marcou como ⚠️ discrepância a investigar.

**Resolução (verificada na linha 353 do PDF):** ambas as cifras estão no paper, medindo coisas distintas.

| Métrica | Nordeste | Nacional |
|---|---|---|
| % candidatos com **pai que foi candidato a prefeito** | **8,7%** | (não dado, mas inferido próximo a 5,5%) |
| % candidatos com **pai que foi prefeito eleito** | **6,3%** | **3,5%** |
| % candidatos com **sobrenome compartilhado com candidato passado** | **42,6%** | **21,6%** |
| % candidatos com **sobrenome compartilhado com prefeito eleito** | **25,2%** | **11,5%** |

**Conclusão:**
- A cifra Spotniks de **"42% candidatos com mesmo sobrenome"** corresponde à coluna **"shared surname with previous CANDIDATE"** (42,6% no NE) — fielmente reproduzida pelo documentário (apenas arredondada de 42,6% para 42%).
- A cifra **"25,2%"** que o primeiro agent achou refere-se à coluna mais restritiva **"shared surname with ELECTED mayor"**.
- **Ambas são reais. O Spotniks usou a métrica mais ampla; o primeiro agent achou só a mais restritiva.** Não há erro no documentário; há sobreposição de métricas no paper.

## Outros achados quantitativos

### Famílias com persistência geracional

- "**Fewer than 20%** of municipalities have a political family that has endured **3 or more elections**" (linha 434)
- A persistência geracional (4-5 eleições seguidas) é mais rara — esta é a estatística que dá o "30%" citado em alguns reports sobre o paper, com leitura ligeiramente diferente.

### Família vs. partido como preditor de voto longitudinal

> "The slope coefficient on 2016 vote share in a model predicting 2020 vote share for two distinct candidates belonging to the same family is **0.33**, while the analogous coefficient for two candidates sharing the same party is **0.284**." (linhas 490-492)
>
> → **Família prevê melhor o voto futuro do que o partido.** O sobrenome é brand político mais estável que a sigla.
>
> "The increased predictive power of family over party is consistent for all three election pairs we examine." (linha 493)

### Vignette experiment — efeito sobre intenção de voto

Hipóteses pré-registradas:
- **H1:** filiação familiar tem efeito significativo sobre intenção de voto e percepção de qualidade do candidato.
- **H2:** efeito da filiação familiar > efeito da filiação partidária.

**Resultados (linhas 656-694):**
- ✅ **H1 confirmada:** filiação a família local tem efeito significativo sobre intenção de voto
- ⚠️ **H2 parcialmente confirmada:** os dois efeitos são "muito similares" e as diferenças "minúsculas e estatisticamente não-significativas" — ou seja, a tese forte de "família > partido" não é confirmada, mas a tese de "família ≈ partido" é. Ainda assim, é um resultado **politicamente devastador**: em pleno século XXI, o sobrenome de um candidato é tão preditivo de voto quanto a sigla partidária.

## Mecanismos identificados

O paper identifica dois mecanismos para o "voto familiar":

1. **Transferência de lealdade geracional:** "Voters who were loyal supporters of a family patriarch are likely to transfer that support to a descendant or spouse who bears the family name." (linha 137) — patriarca constrói base; descendente/cônjuge herda.

2. **Brand político familiar (mecanismo indireto):** o sobrenome funciona como **selo cognitivo** — economiza esforço de processamento do eleitor; é informação heurística sobre "que tipo de político esperar"; permite reconhecimento rápido em ambientes de baixa informação política.

## Relação com Stanford 2015 e com a literatura

Cita explicitamente Bragança, Ferraz & Rios (2015) — Stanford 2015 — como precedente. **MIT 2024 complementa Stanford 2015 em três frentes:**

1. **Foco regional:** Stanford agrega Brasil; MIT desagrega o **Nordeste**, região mais documentadamente clientelista.
2. **Metodologia mista:** Stanford é puro RDD quantitativo; MIT combina **dados administrativos de parentesco + survey vignette experimental + focus groups + entrevistas qualitativas** com políticos dinásticos.
3. **Mecanismo:** Stanford foca o que dinástico FAZ no cargo (gasta mais, entrega menos); MIT foca o que ELEITOR FAZ na urna (vota família como votaria partido).

## Por que este estudo é central para o Programa QUILOMBO

- **Confirma cientificamente a tese do Spotniks** de que "o eleitor que vota num Lira em Barra de São Miguel não vota porque calcula a melhor opção pra cidade — vota porque É um Lira". Esta é citação direta do paper traduzida para a linguagem do documentário.
- **Sustenta a Doutrina da Educação como Anti-Servidão Política:** se sobrenome funciona como marca cognitiva por economia heurística do eleitor, a educação cidadã (Freire, Anísio) é o caminho para introduzir critérios alternativos de avaliação. **"Conhecimento Liberta"** atinge precisamente este mecanismo.
- **Sustenta a Doutrina da Soberania Informacional:** se o eleitor confia em brand familiar por falta de informação alternativa, a mídia em mãos da própria família (coronelismo eletrônico documentado em Sprint 1) cristaliza o ciclo. **Reforma do Art. 54** é precondição para quebrar a hegemonia informacional do clã.
- **Fundamenta o realismo gradualista (instrução do usuário "sem revolução bolchevique"):** se 75,5% dos municípios sampleados têm pelo menos uma família politicamente relevante, e se voto-família é tão preditivo quanto voto-partido, **mudar este padrão é trabalho geracional** — exatamente o que justifica a estratégia "Fase 1: infiltração burocrática → Fase 2: coalizão → Fase 3: PEC" em 4 anos do Lula 3, com horizonte 2030+.

## Como esta ficha é usada no programa

| Onde | Como |
|---|---|
| `referencias/NNN-kasahara-hidalgo-boas-rocha-2024.html` | Verbete público (padrão PACID) — citado no manifesto Cap I, II, V |
| `doutrinas/04-doutrina-educacao-anti-servidao.md` | Mecanismo de "voto familiar por economia heurística" justifica educação cidadã |
| `doutrinas/01-doutrina-soberania-informacional.md` | Família + mídia local = brand político hereditário; Reforma Art. 54 desmonta o ciclo |
| `cronograma-180-dias/00-prologo-onde-pisamos.md` | Tabela de cifras 42,6% / 25,2% / 8,7% / 6,3% no Nordeste — diagnóstico de partida |
| `manifesto-quilombo.html` | **Capítulo II — Por que a Educação é a Base** e **Capítulo V — O Plano dos 180 Dias** |
| `pesquisa/documentarios-jornalismo/spotniks-familias-governam-brasil.md` | Resolve a discrepância 42% × 25,2% — confirma a fidelidade do Spotniks à fonte |

## Pontos a aprofundar

- **Replicação atualizada (2024-presente):** dados terminam em 2020. Eleições municipais de 2024 podem ser incorporadas em futura iteração.
- **Cross-referência com Bragança/Ferraz/Rios 2015 (Stanford):** combinar achados — clãs ganham via brand familiar (MIT) E não entregam social (Stanford). Sequência narrativa para o manifesto: o povo vota família por economia heurística (MIT) → família gasta mais e entrega menos (Stanford) → ciclo se mantém por captura informacional via mídia (Spotniks 27 estados + Lima & Lopes rádios comunitárias).
- **Estudos correlatos a buscar:** Smith (2018) com conjoint experiment sobre family history; Carvalho (1966) sobre coronelismo de origem patrimonialista pré-moderna (cf. Weber); Pereira (2016) e Mainwaring (1999) sobre patrimonialismo em sistemas modernos.

## Verificação

- **Método:** WebFetch do PDF → pdftotext local → grep das cifras-chave e da Tabela 5 → leitura da seção de vignette experiment.
- **Data:** 2026-05-28.
- **Resolução de discrepância:** confirmada — 42,6% (overlap candidato) ≠ 25,2% (overlap prefeito eleito); ambas estão no paper; Spotniks usou a métrica mais ampla.
- **Cifras conferem:** 90 municípios ✅, 7 estados NE ✅, 17.925 candidatos ✅, 68/90 municípios com família politicamente relevante ✅, família mais preditiva que partido (0,33 vs 0,284) ✅, vignette experiment confirma H1 ✅.

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**Fonte primária:** Kasahara, Hidalgo, Boas & Rocha (2024) · URL: https://people.bu.edu/tboas/dynasties.pdf · Verificado em 2026-05-28 via pdftotext.
